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Você e o seu companheiro

O que mais preocupa os companheiros das pacientes diagnosticadas com câncer de mama?
Por: LIFETIME Brasil

Apesar do que você possa imaginar ou temer, os estudos mostram que a resposta é simplesmente essa: os companheiros de pacientes com câncer de mama querem apenas que sua pessoa amada esteja com vida e se sinta bem. E em comparação a isso, a perda ou a alteração de uma mama não tem quase nenhuma importância.

Uma opinião muito comum é a seguinte: “Não importa o que vão tirar de você, desde que eu consiga ver seu rosto”. A maioria dos parceiros compreensivos (tanto homens quanto mulheres) opinam que suas companheiras têm muitas partes para amar e que elas são muito mais que a soma dessas partes.

Ninguém pode garantir que não haverá altos e baixos. Enquanto você está preocupada porque se sente menos atraente, seu companheiro também sente preocupação, ansiedade e, até, culpa, e se pergunta: “Posso ter sido o responsável por isso? Posso ter contribuído de alguma forma para o câncer? Será que vou ficar radioativo se a tocar, se tocar sua mama? É contagioso o tipo de câncer que foi diagnosticado nela?” E, talvez, com sentimento de culpa, pensem: “Quando vou poder me preocupar comigo mesmo, pra variar?”.


Pode ser muito difícil pra você conseguir compreender suas necessidades e preocupações, e, mais ainda, ter que contá-las ao seu companheiro. Você não quer minimizar a importância das coisas que ele já fez para você, por isso tem que fazer seus pedidos da forma mais cuidadosa e positiva possível: “Você tem trabalhado tanto, tem feito tantas coisas por mim; tem sido uma ajuda enorme, mas o que eu realmente preciso, nesse momento, é estar próximo de você e lhe dizer o que me faz ficar nervosa e ansiosa. Preciso que você me escute ou que apenas me abrace”.


A comunicação é a chave.

A comunicação, ou seja, ouvir um ao outro é a base de qualquer relação íntima, mas a maioria das pessoas não tem ideia de como falar de algo tão importante quanto o câncer. A seguir, elencamos alguns conselhos para que você esteja preparada:


- Encontre um momento. Na maioria dos casos, os casais costumam passar muito pouco tempo juntos. E um diagnóstico de câncer de mama traz somente mais distrações. Inclusive, quando se consegue estabelecer um diálogo, há tantas interrupções que a conversa pode acabar perdendo o foco. Por isso, programe um tempo em um lugar tranquilo, onde você sabe que ninguém os interromperá;


- Procure iniciar o assunto. Comece a falar de algo leve e agradável, como os planos para as férias ou o tempo. Uma vez que vocês estiverem conversando, você pode levar o assunto para outro patamar, revelando seus medos, suas preocupações, de que forma a doença trouxe mudanças em você e a importância desse relacionamento na sua vida;


- Fale, fale. Mesmo que seu companheiro não costume falar muito, não significa que ele não a escute. Talvez você tenha que falar sozinha durante quase todo o tempo, mas, embora você pense o contrário, o que você está dizendo será SIM ouvido e compreendido. Faça umas pausas, vez ou outra, para ver a reação dele. O contato visual e o tato podem dar maior significado e ênfase para as suas palavras;


- Tranquilize seu companheiro. Seu parceiro pode achar que você já teve problemas suficientes ouvindo os temores e preocupações de outra pessoa. Faça-o entender que você QUER saber como ele se sente e que os dois estão juntos nessa situação;


- Recorra a outra pessoa. Se ambos têm problemas para se comunicar, uma consulta com um terapeuta pode ajudar a resolver a situação.

- Comunique-se por escrito. Às vezes, é muito mais fácil escrever como você se sente em uma carta ou por meio de uma nota em um diário do que falar cara a cara.


O câncer de mama não é bom para as relações, mas as boas relações podem ser fortalecidas se os problemas forem compartilhados. É possível que seu companheiro tenha dúvidas, sinta falta da pessoa que você era antes e se lamente por isso, como provavelmente você o fará. Mas isso não significa que ele queira te trocar por outra. “Meu marido me dava todo o seu apoio quando eu chorava e gritava, e me abraçava quando eu o deixava se aproximar de mim”, conta uma paciente. “Nosso casamento está melhor agora do que antes”.


Fonte: http://cimab.org/