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Uma Thurman revela como foram as tentativas de estupro que sofreu em Hollywood

Quando o escândalo de Harvey Weinstein explodiu em Hollywood há alguns meses, várias atrizes deram um passo à frente para dar seu depoimento. Uma Thurman, no entanto, decidiu não fazê-lo. Os motivos foram expostos em uma entrevista em outubro passado, na qual, apesar de ter manifestado sua solidariedade para com as vítimas que se expuseram publicamente, ela disse que estava esperando se sentir menos furiosa: “Quando estiver pronta, direi o que tenho a dizer”.

E o momento chegou. Há poucos dias, o The New York Times publicou um artigo que relata, com sinceridade e dor, a experiência devastadora da atriz.

Segundo Uma, os assédios do produtor começaram depois de eles se conhecerem. Os dois já tinham trabalhado em “Pulp Fiction”, filme que deu a Harvey Weinstein renome, dinheiro e poder, e que transformou a atriz em um ícone do cinema.

A relação ficou mais estreita: Uma passava horas falando de trabalho com Weinstein, quando o produtor demonstrava respeito e interesse por suas opiniões e ideias. A atriz acredita que essa conexão prévia fez com que ela ignorasse certos “sinais de alerta”.

E foi assim que ela terminou, em duas ocasiões diferentes, em um quarto de hotel com Weinstein, sendo vítima de abusos de todos os tipos: “Ele me empurrou no chão, tentou entrar em mim, tentou se expor”. Felizmente, ela conseguiu fugir de ambas as situações. Porém, em um encontro posterior, o produtor ameaçou destruir sua carreira se ela falasse sobre o ocorrido.

Mas esse foi só o começo do pesadelo. Uma contou suas experiências ao seu amigo Quentin Tarantino, que confrontou Weinstein com o objetivo de resolver as coisas antes da filmagem de “Kill Bill”, na qual os três trabalhariam juntos novamente.

Durante a filmagem, o próprio Tarantino obrigou Uma a fazer uma cena muito perigosa, mais apropriada para um dublê, sem dar bola para as respostas negativas da atriz. O resultado foi um acidente automobilístico que deixou danos permanentes no seu pescoço e joelhos. Como se isso não fosse suficiente, o diretor e os produtores se recusaram a mostrar a gravação do acidente, que ela levou 15 anos para conseguir, tendo publicado recentemente, junto com suas declarações.

Apesar de toda a violência à qual foi submetida, Uma, assim como sua grande personagem Beatrix Kiddo, conseguiu encontrar a coragem e a força necessárias para fazer justiça, contando sua verdade e transmitindo uma mensagem crucial para todas as mulheres e para a sociedade como um todo: “Enquanto mulheres, somos condicionadas a acreditar que a crueldade e o amor têm alguma espécie de conexão. Essa é a era a partir da qual temos que evoluir”.

 

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