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Sabia que a cerveja foi criada e dominada por mulheres durante mais de 4 mil anos?

Embora esteja associada aos homens, a cerveja é uma criação essencialmente feminina!

Ao longo dos seus 5 mil anos de história, uma das bebidas mais consumidas no mundo chegou a marcar a transição do período paleolítico para o neolítico, junto com o início do cultivo de grãos.

 

Pesquisas arqueológicas revelam que as civilizações sumérias e egípcias adoravam deusas (e não deuses) da cerveja, Ninkasi e Menqet, respectivamente. 

Um dos primeiros conjuntos de leis escritas da humanidade, o famoso  Código de Hamurabi, da Mesopotâmia, proibia cobrar um preço excessivo pelas cervejas em tavernas e fazia referência direta às mulheres que eram donas desses estabelecimentos.

Já no século 5 d.C., as “esposas cervejeiras”, responsáveis pela criação da bebida, colocavam o produto à venda quando havia excesso de produção. Algumas saíam às ruas para vender sua própria cerveja, usando um chapéu comprido característico da época. Alguns dizem que aí nasceu a imagem das bruxas. 

Os homens só vieram assumir o controle da produção seis séculos depois disso. 

As mulheres perderam espaço na produção de cerveja quando a bebida passou a ser um negócio lucrativo e começou a ser fabricada em larga escala, especialmente com a chegada da  Revolução Industrial.

"A cerveja passou a ser conhecida como bebida masculina só depois de começar a ser produzida por homens", diz Teri Fahrendorf, mestre cervejeira há três décadas.

 "O trabalho em equipe que existia antes na produção de cerveja desapareceu, e as mulheres passaram a ter uma nova imagem: modestas, virginais, casadas. De repente, a cerveja deixou de ser 'feminina'."

Elas voltaram a ter participação na produção de cerveja somente nas décadas de 1960 e 70, quando as grandes cervejarias passaram a ser uma alternativa real de emprego.

Hoje, a luta é para superar o marketing associado à bebida, essencialmente machista e quase sempre objetificador do corpo feminino. 

Tanto que no mercado encontramos até “cervejas diferenciadas” para mulheres, mais fracas e adocicadas – o que, para as verdadeiras apreciadoras da bebida, não faz qualquer sentido. 

Hoje, pesquisadores da Universidade Stanford, nos EUA, descobriram que 20% das cervejarias abertas em 2014 tinham uma mulher entre os fundadores. Outro levantamento, da Brewers Association mostra que 31% dos consumidores de cervejas artesanais são mulheres.


Fonte: HuffPost | Imagem: Christo Anestev / Pixabay