MAIS LIFETIME

No Brasil, 25 milhões de cabeças estão contaminadas com formol! Como pode?

Por Vera Golik e Sônia Corazza

Você já parou para refletir que seus cabelos podem estar contaminados com uma das substâncias químicas temidas por estar francamente relacionada aos casos de câncer e outras anomalias?

Pois bem…num trabalho pioneiro, que consumiu dois anos de estudo, avaliando mais de 32 mil mechas de cabelos pelo país, conseguimos detectar a presença de formaldeído num número espantosamente alto de cabeleiras femininas.

Mas por que? A resposta levanta vários aspectos, uma trama bem complexa….

Uma parcela das pessoas que se submete a tratamentos cosméticos, como os denominados plástica capilar, botox capilar, escova progressiva e outras ‘técnicas’ inventadas para encantar e ganhar o consumidor, não se importa em saber o que existe dentro dos frascos coloridos e perfumados, desde que seus cabelos fiquem lisos. Esta beleza questionável, onde os fins parecem justificar os meios, está longe de trazer segurança dermatológica e toxicológica, além de acabar com a estrutura natural do fio de cabelo.

Muitas mulheres, em busca da sonhada transformação radical das madeixas, se submetem aos tais ‘tratamentos capilares’, que se apresentam das maneiras mais criativas e inimagináveis, disfarçados por claims maliciosos, ou chamadas espertas, como “à base de ácidos de flores, baba de quiabo, amido de milho, etc.” (como se os ditos ‘ingredientes naturais’ da fórmula a deixasse segura e inócua) e não se dão conta que o agente remodelador – aquele que vai levar ao efeito liso – usado nos produtos contém formol numa concentração totalmente fora da permitida pela ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), órgão regulador da área no Brasil.

Segundo o órgão, “o formol é considerado cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, o IARC (International Agency For Research on Cancer). Foi comprovada incidência de câncer nas vias respiratórias superiores (nariz, faringe, laringe, traqueia, e brônquios) pela inalação da substância”. E não há como negar: tanto os profissionais como a cliente respiram grande quantidade da substância durante e depois do procedimento. A ANVISA permite o uso de formol em produtos cosméticos somente até a concentração de 0,2% como agente conservante. Porém nesta concentração o formol não alisa ou remodela nenhum tipo de cabelo.

Empresas e profissionais inescrupulosos usam formol numa concentração que chega até a 20% para obter o alisamento dos fios, registrando seus produtos na ANVISA com informações propositadamente distorcidas.

Um outro fator impactante e preocupante é que muitos fabricantes de menor porte, porém honestos, acabam comprando gato por lebre. Ou seja, levam ativos alisantes como se fossem ingredientes tecnológicos, batizados com nomes também sedutores embalados por promessas como a de serem ‘100% livres de formol’, fato este que está bem longe da realidade.

Este universo de gente e empresas enganadas ou cúmplices torna o Brasil uma pátria triste e doente, cujas escolhas insensatas, conscientes ou não, irão cobrar um preço alto para a saúde da população a médio prazo.

Meus conselhos para quem quiser realizar um processo de remodelagem capilar de maneira mais segura e fazer a sua parte para cuidar da sua saúde e da saúde de todos nós:

 

 


Imagem de Vera Golik Vera Golik é uma jornalista, escritora e palestrante apaixonada pela VIDA! É dona do blog Vera Bellezza que traz novidades e recursos para a mulher se cuidar, se gostar mais, se amar e se valorizar em cada fase da vida, sem seguir estereótipos, e contribuindo para a construção de um mundo mais generoso e mais cuidadoso.
FACEBOOK | INSTAGRAM