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“Estocolmo, Pensilvânia” e a obsessão pelas mulheres sequestradas

Apesar de fazermos todo o possível para ficarmos distante dos sequestradores da vida real, a possibilidade de acessar, por meio da ficção, suas mentes distorcidas, conhecendo seus pensamentos, motivos e passados obscuros, possui um apelo inegável.

 

Mas, o que acontece com suas vítimas? Nos filmes, séries e livros sobre esse tema, principalmente quando se trata de mulheres, elas costumam ser retratadas de uma forma que poderíamos definir como incompleta. Basicamente, como donzelas em apuros, incluídas na trama somente para serem resgatadas – mais como objetos ou troféus que como seres de carne e osso, sensíveis e pensantes.

Esse foi um dos fatores que levou a cineasta NIkole Beckwitha a realizar “Estocolmo, Pensilvânia”. O filme explora a problemática de uma perspectiva completamente inovadora, permitindo que adentremos as profundidades da psique de uma menina sequestrada.

 

Já em um primeiro momento, o filme questiona um conceito fundamental: trata-se realmente de uma vítima? Ao vermos a protagonista, Leia, voltar ao ser lar depois de ter vivido encarcerada no porão do seu sequestrador por anos, somos capazes de compreender sua confusão, sua sensação de desamparo, mas não podemos encontrar nenhum indício que fale de um sofrimento passado ou de um alívio presente.

Para iniciar uma nova vida, Leia precisa entender o que aconteceu e aprender a se conectar ao seu entorno, mas também é obrigada a atravessar um processo de dor extremamente difícil: o da perda de seu único laço afetivo, aceitando, ao mesmo tempo, que se tratava de um criminoso. O filme nos mostra esse mundo interior enigmático e contraditório da protagonista com tamanha riqueza de detalhes que não conseguimos desgrudar os olhos da tela.

 

Por que você acha que as histórias de sequestro cativam tanto nossa atenção? Se quiser constatá-lo, não perca “Estocolmo, Pensilvânia”, quarta (28/06), às 22h.