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“Estar numa cadeira de rodas torna você invisível” – leia o tocante desabafo de Abby Lee sobre sua atual condição

 Por Abby Lee Miller

Para mim, o ano passado foi obscurecido por uma cirurgia na coluna, tratamentos diversos e 10 sessões de quimioterapia para tratar o linfoma de Burkitt, um tipo de câncer que afeta as células de defesa. 

Consegui vencer o câncer, mas ainda luto contra os efeitos colaterais da doença e das cirurgias. 

Um dos maiores desafios tem sido a mobilidade limitada pelo impacto do câncer e das cirurgias. Por enquanto só consigo me movimentar utilizando uma cadeira de rodas. 

Quando passei pela primeira cirurgia na coluna, em abril de 2018, ainda conseguia mover as pernas. Meus médicos estavam animados. 


Mas com a aplicação da quimioterapia, acabei não fazendo o tratamento fisioterapêutico que deveria.

Com isso, minha mobilidade decaiu e meus músculos atrofiaram. Eu não conseguia mover o pé direito nem o braço esquerdo. 

Quando finalmente comecei a fisioterapia, não conseguia andar ou sequer colocar um sutiã. 

A única solução foi encarar a cadeira de rodas até conseguir me mover novamente. 

Agora que eu vivo sobre rodas, perdi minha flexibilidade. Como passo 16 horas sentada, músculos da coxa encurtaram e eu ganhei de volta todo peso que perdi antes da cirurgia.

Atualmente uso um cateter porque é preciso tempo para sair da minha cadeira de rodas para usar o banheiro. Muita gente acha que o pior de não ter mobilidade é não poder andar ou correr, mas pra mim a pior parte é usar o banheiro. 

Quando você está numa cadeira de rodas, se torna invisível para as pessoas. 

Quando estou numa calçada, por exemplo, muita gente tropeça na minha cadeira. Você não está no nível da visão, as pessoas não percebem que você está lá.

Também descobri que muitos lugares não têm acessibilidade. Já briguei até com companhias aéreas por não me prestarem ajuda adequada. 

Outro dia me hospedei num hotel que era um verdadeiro pesadelo para cadeirantes. Para chegar ao quarto eu tive que cruzar quatro corredores diferentes e um elevador para chegar ao quarto. E isso por US$ 600 a diária (cerca de R$ 2.400).

Minha meta é voltar a andar. Sei que provavelmente nunca terei energia para passar o dia pra lá e pra cá na Disney ou em aeroportos, mas estou na esperança de conseguir vencer pequenas distâncias e voltar ao normal – e usar o banheiro, como todo mundo.

Meus médicos e fisioterapeutas creem que voltarei a andar. Passei recentemente por uma cirurgia no joelho direito que irá me ajudar a ficar de pé novamente. Tenho feito acompanhamento, alongamentos e treinos de resistência na piscina. Estou ficando mais forte a cada dia. 

A boa notícia é que a cadeira de rodas não me impediu de fazer meu trabalho como instrutora de dança. O que eu mais queria nessa temporada de Dance Moms era provar que, mesmo nessa situação, ainda sou capaz de ensinar. Não vou desistir. Não vou fugir. 


Fonte: Women’s Health | Imagens: Instagram/@therealabbylee