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“Encontre aquilo que você ama” é provavelmente o pior conselho que se pode dar a alguém. Entenda o porquê

Durante um seminário, a psicóloga Carol Dweck, da Universidade de Stanford, nos EUA, perguntou à audiência: Quantos de vocês aqui estão esperando descobrir sua verdadeira vocação?

“Quase todo mundo ergueu o braço, na esperança de que uma onda os invadisse e transformasse suas vidas”, explica ela. 

Na sequencia, a psicóloga fez outra pergunta: “quem aqui tem motivação ilimitada para seguir essa paixão?”

Ao que o público afirmou solenemente com a cabeça, ela rebateu: “desculpa estragar seus sonhos, mas não é bem assim que funciona”. 

O que Dweck está tentando dizer é que tudo isso está mexendo pra valer com a cabeça das pessoas. Termos como “descubra sua verdadeira vocação” ou “faça aquilo que você ama” passaram a inundar nossas vidas a partir dos anos 90 e nunca mais parou. 

Quem nunca ouviu o infame ditado “faça algo que você ama e não terá que trabalhar um só dia na vida”? 

Dweck citou como exemplo um estudante que passou anos pulando de laboratório em laboratório tentando encontrar sua verdadeira paixão. Como não se sentia arrebatado de amor assim que entrava num local diferente, não era capaz de detectar qual seria seu real interesse.

Alguns motivos corroboram para essa confusão. O principal é que, se você se vê diante de algo que considera “trabalho”, significa aquilo não tem a ver com sua paixão. 

Um estudo da Universidade de Stanford sugere que é urgente mudar essa percepção: paixões não são apenas encontradas; elas precisam ser desenvolvidas.

Assim, é recomendável pensar sob uma ótica diferente: a de que interesses podem ser cultivados ao longo do tempo – em vez de acreditar que paixão é aquilo que está plantado na gente desde o nascimento. 

Nos estudos desenvolvidos na Stanford com dois grupos distintos de estudantes – de “exatas” e de “humanas”, quem tinha a ideia de que paixões vêm desde o nascimento e não mudam ao longo do tempo demonstravam maior dificuldade de aprender coisas novas em relação àqueles que acreditam que interesses podem ser desenvolvidos ao longo do tempo.

O estudo revelou também que quem acha que paixões vêm do berço tendem a desistir mais facilmente diante de desafios, por acreditar que isso ou aquilo não se encaixa em seus interesses. 

Além disso, as pessoas mais flexíveis têm menos medo de falhar.

Para você, paixão é algo que já está dentro ou pode ser construída? Troque uma ideia com a gente!


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Fonte: The Atlantic  | Imagem: Fabio Sozza / Shutterstock.com