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Carecas e orgulhosas: a incrível história das mulheres que assumiram a calvície

As histórias das mulheres que sofrem de queda severa de cabelo têm pontos em comum: o momento em que descobrem o problema, lutam para manter seus cabelos, entopem-se de remédios e, não vendo resultado, afundam na tristeza. 

Mas a trajetória dessas três mulheres mostra que nem sempre a história precisa ter um final triste. Elas querem mostrar ao mundo que é possível ser careca e ainda se sentir bonita e feminina. 

Fernanda, Carla e Lolla sofrem de alopecia, uma doença que provoca a queda de cabelo e pelos do corpo. 

Fernanda Freitas, de 26 anos (na foto principal), foi diagnosticada ainda na infância, com três anos de idade. Por um tempo, chegou a tomar seis cápsulas de medicamento todos os dias, só para retardar a queda de cabelo.

Carla Lambert, 36, lida com a alopecia desde os 15 anos. Aos 22, depois de ser mãe, passou por um período de depressão que acelerou a queda dos cabelos. Desde então, teve de ingerir uma carga pesada de medicamentos diariamente, durante nove anos. 

A ilustradora Lolla Angellucci, de 38 anos, teve que lidar com problema desde que nasceu. 

Em algum momento de suas vidas, essas mulheres resolveram colocar um ponto final nessa batalha e assumiram suas carecas. 

No dia em que largou os medicamentos e seu marido raspou o ultimo fio de cabelo de sua cabeça, Fernanda se olhou no espelho e deu uma risada. "Foi uma libertação para mim. Não apenas do cabelo, mas de todo o peso que carreguei ao longo da vida", disse, em entrevista à BBC.

Carla decidiu raspar a cabeça depois que percebeu que os medicamentos que tomava não estavam mais fazendo efeito. Ela passou a usar perucas o dia todo, e se recusava a sair de casa – até o dia em que teve de descer na portaria do prédio para receber a comida que havia pedido. Carla respirou fundo e, completamente careca, embarcou no elevador.  "Depois que peguei a comida, enquanto subia para o meu apartamento, tive uma sensação incrível de liberdade. No dia seguinte, saí de casa careca.", explica.

Para elas, hoje, as perucas são um mero acessório que usam quando dá vontade. "Eu nunca pensei que fosse me sentir linda careca, mas consegui", diz Carla.

Lolla demorou a aceitar a careca. Por anos, adiou raspar a cabeça. "Hoje, me acostumei a chamar a atenção. Se vou a um lugar e ninguém me olha, acho estranho. Hoje, enxergo que sair de casa careca é uma forma de inspirar outras mulheres que também passam por isso."

Mas até chegar a esse ponto, elas tiveram de fazer um intenso trabalho de recuperação de autoestima para se enxergarem como uma mulher bonita e careca. Esse talvez seja o principal desafio de quem sofre com o problema, dado a importância dos cabelos no ideário feminino.

A alopecia afeta homens e mulheres e se manifesta por causas genéticas, inflamações, doenças sistêmicas e, em menor grau, por estresse ou tratamentos químicos no cabelo. O tipo areata é um dos mais comuns e atinge cerca de 2% da população mundial. 

Segundo a Sociedade Brasileira do Cabelo, 50% das mulheres têm alguma queixa sobre queda capilar. 


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Fonte: R7 | Fotos: Arquivo pessoal