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Aquela pessoa que você “ama odiar” causa mais danos à sua saúde que um inimigo

Uma pesquisa realizada nos EUA mostra que se relacionar com pessoas com as quais se tem uma relação de amor e ódio pode gerar mais problemas de saúde do que lidar diretamente com um inimigo.

Esse tipo de relacionamento tem até um nome: relações ambivalentes. 

Segundo a psicóloga Julianne Holt-Lunstat, da Bringham Young University, é raro encontrar alguém que não nutre um tipo parecido de relação. Ela acredita que pelo menos metade das pessoas cultiva esse hábito.

Isso, segundo Holt-Lustat, tem um efeito direto na nossa saúde. 

Ela analisou cerca de 150 estudos e chegou à conclusão de que amizades saudáveis podem reduzir o risco de morte pela metade. É um efeito similar a quem para de fumar, por exemplo. 

Ter uma rede de amigos “saudáveis” diminui o estresse, a pressão sanguínea e os riscos de infecção.  

Mas a gente tem diferentes graus de amizades. Muitas vezes, para manter os bons amigos por perto, a gente precisa encarar as relações ambivalentes – ou seja: aquelas pessoas que a gente ora gosta, ora odeia.

E é aí que mora o perigo. 

Os estudos da Bringham Young University mostram que essa tentativa de administrar relações ambivalentes têm efeito direto na pressão sanguínea. A presença de amigos confiáveis diminui os níveis de pressão; a das pessoas que nos irritam, faz os índices subirem. 

"Mesmo quando a pessoa em questão está no quarto ao lado, a pressão aumenta, com maiores níveis de ansiedade. Isso acontece por causa da sensação de ter que lidar com a pessoa em algum momento", diz a psicóloga. 

Em alguns experimentos, o simples nome da pessoa em uma tela já provocava um aumento dos batimentos cardíacos. 

Um dos motivos é o impacto que as pessoas ambivalentes têm em nossas vidas. Às vezes basta cutucar uma memória negativa para gerar uma sensação ruim no corpo. 

"Há sempre uma incerteza quando encontramos um ambivalente. Será que a pessoa veio para me ajudar ou para falar novamente de algo desagradável?", diz Holt-Lustat.

Outro motivo: como são uma espécie de “amigo”,  a gente tende a levá-los a sério. Ações e comentários vindo de inimigos são mais fáceis de serem digeridos que aqueles feitos por quem amamos-e-odiamos.

Os cientistas ainda querem entender os efeitos dessas relações na nossa vida a longo prazo. Alguns estudam, inclusive, se elas podem desencadear doenças mais graves, como o câncer.

Psicólogos entendem que, para a grande maioria das pessoas, romper esse tipo de relação é difícil, já que muitas se estendem por décadas. 

Para alguns, há duas maneiras de aliviar o estresse dessas relações: 

  • Expor os pontos de conflito na relação, como forma de reduzir a sensação de ambiguidade e incerteza. 
  • Levar em conta o papel de cada amigo na sua vida. Isso ajuda a diminuir as expectativas em cada relação. 

 

Você também tem algum desses “amigos” na sua vida? 


Fonte: BBC | Imagem: Анастасия Гепп - Pixabay